Transformar IA em resultado é o novo desafio das empresas, mostra AutomationEdge User Conference 2026

Evento realizado no Brasil apresentou casos práticos de automação e IA, colocando no centro do debate temas como governança, segurança de dados e o retorno dos investimentos em novas tecnologias

A partir da provocação de que a inteligência artificial já deixou de ser uma promessa distante para se tornar parte da rotina das empresas, e o desafio, agora, passou a ser descobrir onde ela realmente gera valor, AutomationEdge, fornecedora de soluções de Hyperautomação, realizou no final de agosto, a AutomationEdge User Conference 2026 – Brazil Edition. O evento reuniu clientes, especialistas e profissionais de diferentes setores para discutir os limites e as possibilidades da nova fase da automação corporativa. Em vez de concentrar o debate apenas em ferramentas e tendências, o evento buscou responder a uma pergunta mais prática: o que as empresas devem fazer, de fato, para transformar IA em resultado?

A resposta apresentada ao longo do encontro passa por uma mudança de perspectiva, em que mais do que simplesmente adotar um chatbot ou ampliar o consumo de modelos de linguagem, as empresas precisam identificar problemas concretos, escolher a arquitetura adequada e estabelecer mecanismos de governança capazes de acompanhar as decisões tomadas pela tecnologia.

“Estamos vivendo um momento em que muitas empresas têm como meta simplesmente adotar inteligência artificial, mas tecnologia não pode ser um fim em si mesma. O ponto de partida precisa ser sempre o problema que queremos resolver e o valor que queremos gerar. A IA tem um potencial enorme, mas esse potencial só se transforma em resultado quando existe arquitetura, governança e uma aplicação conectada à realidade do negócio”, explica Fernando Baldin, Country Manager LATAM da AutomationEdge.

A conferência apresentou diferentes níveis de utilização da IA nas organizações, como aplicações mais simples, em que modelos de linguagem são utilizados para tarefas específicas, em análise e classificação de documentos, por exemplo; estruturas com múltiplos agentes, capazes de dividir diferentes etapas de um processo; e sistemas mais avançados de orquestração, nos quais a tecnologia participa da definição dos caminhos necessários para executar determinada atividade.

A principal mensagem foi que soluções mais complexas nem sempre são as mais eficientes e que a escolha da tecnologia deve ser proporcional ao problema. Em muitos casos, um único agente pode gerar mais valor do que uma estrutura sofisticada e mais cara de múltiplos sistemas de inteligência artificial.

A discussão também avançou sobre um dos pontos mais sensíveis da expansão da IA corporativa, que é a governança. Especialistas abordaram os riscos de vazamento de dados, respostas incorretas e decisões automatizadas sem mecanismos adequados de supervisão. Entre as práticas debatidas esteve o uso da própria IA para auditar decisões tomadas por outros modelos, além da importância de manter registros e rastreabilidade das informações processadas.

Outro consenso do encontro foi que a automação não deve permanecer restrita às áreas de tecnologia, já que os cases apresentados mostraram como profissionais originalmente formados em áreas como contabilidade, finanças e recursos humanos passaram a desenvolver soluções para problemas das próprias áreas de negócio.

Da estratégia à aplicação prática

A Eurofarma, por exemplo, compartilhou sua experiência na criação de uma cultura interna de automação, em que a companhia capacitou mais de 60 profissionais de diferentes áreas e criou uma estrutura voltada à melhoria contínua dos processos. O case vencedor da batalha de cases do evento foi desenvolvido justamente a partir dessa visão: em vez de tentar criar, desde o início, uma solução totalmente autônoma, a equipe optou por desenvolver gradualmente um agente de IA, ampliando suas capacidades à medida que o projeto avançava.

Outros projetos apresentados demonstraram aplicações bastante concretas da combinação entre RPA e IA. Em uma das iniciativas, uma operação que lidava com cerca de 650 e-mails mensais automatizou a análise, categorização e direcionamento das solicitações recebidas. Antes de encaminhar os conteúdos para a inteligência artificial, a solução também realiza um tratamento prévio para retirar informações pessoais consideradas desnecessárias para a execução da tarefa, como documentos e dados financeiros.

A programação também mostrou como a automação baseada em dados e IA já está sendo utilizada em operações de atendimento e serviços. Entre os exemplos apresentados esteve uma operação capaz de processar cerca de 20 mil atendimentos mensais relacionados a um programa de sócio-torcedor, utilizando bases de dados para responder dúvidas e reduzir a necessidade de intervenção humana em demandas repetitivas.

A AutomationEdge também apresentou durante o evento novidades e demonstrações práticas da evolução de sua plataforma, com foco na integração entre automação, inteligência artificial e gestão dos processos corporativos. Foram abordados recursos voltados à gestão de capacidade, novas camadas para utilização de IA, ferramentas de copiloto e componentes que permitem incorporar modelos de inteligência artificial aos fluxos de automação.

Ao final, a conferência reforçou a percepção que começa a ganhar espaço no ambiente corporativo de que a próxima etapa da transformação digital não será definida apenas por quem utiliza mais inteligência artificial, mas por quem consegue utilizá-la melhor.

Entre o entusiasmo com agentes autônomos e a pressão para acelerar a adoção da tecnologia, o evento defendeu uma posição menos imediatista, em que a IA pode ampliar a capacidade das empresas, automatizar atividades que antes dependiam integralmente de pessoas e criar novas formas de operar. Mas para isso, precisa deixar de ser tratada como um recurso isolado e passar a fazer parte da arquitetura dos processos e da estratégia dos negócios.

A AutomationEdge User Conference 2026 terminou com uma discussão sobre maturidade: em um mercado cada vez mais pressionado a adotar inteligência artificial, talvez o maior diferencial competitivo esteja justamente em saber quando, onde e por que utilizá-la. A batalha de cases reuniu experiências práticas de clientes e premiou os projetos mais votados pela comunidade, reforçando o propósito do encontro de aproximar a discussão tecnológica da aplicação cotidiana nas empresas.

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